As causas do incêndio do Hospital Badim foi tema de audiência pública da Comissão de Saúde

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Os responsáveis pelo Hospital Badim, localizado na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, demoraram, aproximadamente, uma hora para acionar o Corpo de Bombeiros durante o incêndio ocorrido na unidade hospitalar no mês de setembro passado. O resgate tardio acarretou em 20 mortes. As informações foram apresentadas nesta segunda-feira (21/10) durante audiência pública realizada pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O objetivo da reunião foi discutir sobre as principais causas do incêndio e sobre o expressivo número de mortes decorrentes do fato.

Para a presidente da Comissão, deputada Martha Rocha (PDT), a demora para realização do resgate foi crucial para o grande número de vítimas. “Eu acho que houve um momento em que os profissionais do Hospital Badim identificaram o problema, imaginaram que poderiam solucioná-lo e, por sua vez, não foi solucionado. Quando, então, se iniciou o resgate, houve um hiato de tempo que, por certo, contribuiu para o resultado de tantos óbitos”, argumentou a parlamentar.

21102019_170636comsaude_DarciMartinsNeto_21_10_19_RafaelWallace-1156Familiares das vítimas e civis que estavam presentes na reunião relataram que os primeiros sinais de fumaça foram detectados em torno das 17h e 30 minutos (do dia 12 de setembro), mas que somente às 18h a equipe do hospital começou o protocolo de evacuação. Darci Martins Neto, diretor de uma Creche Escola vizinha à unidade de saúde, afirmou que a fumaça podia ser vista saindo das janelas e portas do prédio. “Eu vi a fumaça saindo do hospital e fui até a recepção do prédio perguntar o que estava acontecendo. Fui informado de que era um problema no gerador e já estava sendo resolvido”, contou.

Durante a audiência pública, o advogado da unidade hospitalar, Bernardo Safady, informou que 32 brigadistas se encontravam no local e que os profissionais tentaram conter as chamas, por isso a demora para o chamado do Corpo de Bombeiros. Contudo, de acordo com denúncias recebidas pela Comissão de Saúde, a equipe de brigadistas do Hospital Badim era formada por profissionais de diversas áreas que tinham apenas cursos de brigada. No momento do incêndio, parte desses funcionários cumpria funções em outros setores.

Já o diretor do Hospital Badim, dr. Fábio Santore, afirmou durante a audiência que dos 103 pacientes que estavam na unidade no dia do incêndio 11 continuam internados, 72 já tiveram alta e 20 morreram. “Todavia, enquanto o Instituto Médico Legal (IML) não emitir todos os laudos, a direção do hospital não poderá afirmar que a natureza dessas mortes foram decorrentes do incêndio”, disse Santore.

Mas a presidente da Comissão da Alerj discorda. “No dia do ocorrido foram encontradas 10 pessoas mortas, e, ao todo, foram 20 óbitos. O hospital afirma que é necessário aguardar o laudo do IML mas, sem dúvida alguma, estamos diante de uma situação bem delicada. Os pacientes que não conseguiram sair do hospital logo no início do incêndio, inalaram muita fumaça e isso contribuiu para enfermidades posteriores, levando ao óbito”, afirmou a deputada.

O Coordenador de Operações do Corpo de Bombeiros, coronel Luciano Sarmento, contou durante a audiência pública que, aproximadamente, 100 profissionais trabalharam no combate das chamas e que quando o comboio chegou ao local, o protocolo de evacuação já tinha começado.21102019_170505comsaude_21_10_19_RafaelWallace-1122

Rede de Solidariedade 

O diretor da creche escola vizinha ao hospital, Darci Neto, foi um dos primeiros a prestar ajuda na remoção dos pacientes durante o incêndio. As salas da escola acomodaram mais de 50 pacientes, em sua maioria vindos do CTI. Ao lembrar das cenas, Darci comentou emocionado: “Não desejo ver isso novamente nunca mais na minha vida. Os pacientes não paravam de chegar dentro da creche, lembro da minha esposa transitando entre as macas para saber a situação de cada um deles”.

Darci contou que todos que passavam (vizinhos, comerciante, toda equipe do hospital e profissionais do corpo de bombeiros) tentavam ajudar no resgate dos pacientes. “Todos fizeram mais do que podiam. Eu carreguei macas, balão de oxigênio, equipamentos que não sei sequer o nome. Isso gerou uma rede de solidariedade jamais vista no bairro”, lembrou o diretor da creche. A Comissão de Saúde da Alerj irá propor que Darci seja condecorado com uma Medalha Tiradentes, em virtude do seu ato solidário e de coragem.

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